Ficha técnica: 

artista: Ernesto Bonato

técnica: Xilogravura

dimensões: 64 x 64 cm

suporte: Papel sekishu

numeração: P.A.

ano: 2007

 

Observações:

A fotografia aqui apresentada é de referência, portanto a numeração da gravura enviada pode não corresponder a desta fotografia, assim como a tonalidade do papel pode variar um pouco em relação à visualizada na tela. A gravura é identificada com anotações à lápis na margem inferior (à esquerda, o número de impressão e, à direita, a assinatura do artista).

A obra é enviada sem moldura, em um tubo de pvc lacrado com certificado de autenticidade assinado pelo artista.

Algumas das obras são impressas sob demanda e outras estão disponíveis para pronta entrega. Entraremos em contato para informar os prazos de entrega.

 

Mais informações sobre esta obra:

A xilogravura 'Manto' faz parte da série 'Deambulatório', iniciada em 2006 e ainda em desenvolvimento. A série ou parte dela já  foi exposta em diversos lugares como a igreja de Anzy Le Duc, Brionnais, França;  Galerie d’Engramme, Quebéc, Canadá; Pratt Institute, Nova Iorque, EUA; Hyllyer Art Space, Washington, EUA; IV Bienal de Gravura de Santo André (Prêmio); Museo de Arte de Ciudad Juárez, Chihuahua, México; Mominoki Gallery, Tóquio, Japão; Galeria Gravura Brasileira, São Paulo; Instituto Cultural Brasil Venezuela, Caracas; 6e Biennale Internationale D’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Canadá; International Print Center New York, EUA; Centre de la Gravure et de l’Image Imprimée, Bruxelas, Bélgica; Galeria de Arte da Unicamp, Campinas; Estação Pinacoteca, Pinacoteca do Estado de São Paulo; Exposición del Encuentro Internacional de Grabado No Tóxico 09. Monterrey, México; Galeria Mezanino, São Paulo; Guanlan Printmaking Base, Guanlan, Senzhen, China; De Punt. Amsterdã, Holanda; IPCNY, New York, EUA; Sesc Guarulhos, SP; Sesc Pinheiros, SP; Mosteiro Zen Morro da Vargem, Ibiraçu, ES; Galeria Virgílio, SP; AT/AL/609, Campinas; Galeria Via Thorey, Vitória, ES, entre outros. A obra encontra-se reproduzida no livro 'Lugar, Tempo, Olhar', de Anne Louyot, editado pela Atelier Editorial em 2009; no catálogo da exposição 'Quatro Ensaios Gráficos', organizado por Claudio Mubarac e editado pela Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2012 (esgotado) e no catálogo da VI Biennale Internationale D'Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Canadá, de 2009. Da obra 'Manto', foi feita uma edição de 12 cópias em papel Sekishu de tom levemente amarelado e outra, alguns anos depois, de 10 cópias em papel Sekishu branco, além das Provas do Artista (P.A.) correspondentes. A partir de 2020 o artista passa a imprimir esta gravura por demanda, em papel washi, sem abrir uma nova edição, numerando as impressões com algarismos romanos.

 

Sobre a série 'Deambulatório'

Ernesto Bonato

 

Iniciei estas imagens em 2006 com a vontade de atribuir a algumas fotografias que fizera desde o ano anterior uma qualidade misteriosamente natural, como se elas brotassem da uma superfície rude - um pedaço de madeira - e flutuassem em sua superfície como uma espuma que nasce dos movimentos profundos do mar. Desejava que estas imagens guardassem algo de sua natureza fotográfica, mas se afastassem da qualidade material de uma ampliação fotográfica comum, sempre mais fria que uma gravura, a meu ver. O primeiro movimento, talvez mais óbvio, mas não menos válido por isso, foi querer realizá-las utilizando os recursos da fotogravura que já dominava relativamente bem na época, mas a verdade é que via estas imagens brotando da madeira e não de uma chapa de metal. Já realizara alguma experiência com filmes fotossensíveis sobre a madeira com resultados satisfatórios, mas obtivera imagens com aquela qualidade explicitamente fotográfica (no que ela tem de registro mecânico da luz) que preferia evitar. Estas imagens necessitavam ser dissolvidas, amolecidas, modeladas pela mão para perderem a rigidez mimética do registro fotográfico e tornarem-se mais “quentes”, mais vivas, algo que sempre associo ao desenho. Por isso resolvi gravá-las manualmente na madeira, mesmo que partindo de uma impressão fotográfica, para que fosse possível conduzir a imagem para um campo indefinido entre desenho, gravura e fotografia, onde não seria fácil precisar sua natureza. Ao mesmo tempo necessitava que esta gravação fosse o mais “natural” e sutil possível, pois, como disse, desejava que a imagem tivesse o aspecto de algo que brotava da madeira quase que espontaneamente, como se fosse fruto da própria madeira ou de um animal que vive nela. A intuição me levou a fazer uma primeira experiência em pequena escala utilizando punções de diâmetros diferentes no lugar das ferramentas de corte

usualmente utilizadas na xilogravura. O resultado foi uma imagem um pouco fantasmagórica, sem o peso corpóreo que o corte e a linha conferem à forma e sem a marca evidente da mão cultivada, que denuncia o gesto humano educado, talvez impossível de eliminar da linha. Mesmo assim, a imagem preservava uma qualidade não mecânica, humana, uma quentura e inteligência, que são próprias do desenho. Foi um movimento delicado esse de colocar-se entre tantas coisas que falam tão alto e por si mesmas e encontrar um meio termo que fosse suave e potente ao mesmo tempo. Optei por esta ação mínima de empurrar as fibras da madeira para baixo com pontas de diâmetros maiores ou de simplesmente abrir espaço entre elas, com pontas mais finas, nunca removendo material. A tradução dos tons contínuos presentes na fotografia original foi atingida pela construção de uma reticula orgânica que, além de contar com a variação dos diâmetros dos pontos e de seus espaçamentos (variáveis presentes na maioria das retículas obtidas mecanicamente), incorporava a interpretação das estruturas, das linhas de força, volumes, etc., visíveis no gesto de quem desenha. Desse modo, a retícula acompanhava o movimento do objeto representado, interpretando com entendimento e maleabilidade sua estrutura, propondo ainda variações no contraste e nos limites da imagem fotográfica original, algo impossível de se obter com uma retícula mecanicamente gerada. Aqui também a intuição me fez escolher o cedro, que depois verifiquei, ao experimentar muitas outras, ser a melhor madeira para este tipo de gravação, além de oferecer à imagem os seus veios, intensificando a sensação de que a figura brotava do lenho ao fundirem-se com a própria retícula gravada.

As figuras escolhidas se relacionam com a iconografia Sacra, apesar de não serem nem comentários, nem pretendam ser sacras no sentido tradicional, embora também não sejam (espero) destituídas de um sentido de religiosidade. Desde o início, pretendia realizar um conjunto de 12 imagens diferentes, mas não defini de antemão quais seriam elas. Uma condição que me impus e que mantenho é de utilizar apenas fotografias feitas por mim, pois continuo considerando este um trabalho de fotografia tanto quanto de gravura. Até agora gravei 06 dessas imagens. Como se vê, é um trabalho muito lento. As imagens têm que vir com verdade, então espero por elas, não as procuro. O trabalho de gravação também se estende por muitos meses, já que qualquer equívoco na perfuração da matriz põe todo o trabalho a perder. A gravação se arrasta lentamente, um pouco por dia, durante o tempo que a atenção permanece mais aguda. A primeira vez que expus as primeiras imagens foi numa igreja românica do século XI, na Borgonha francesa. Chamei esta série de “Deambulatório”, que corresponde à parte que circunda o coro e se coloca entre este e as capelas radiantes nas grandes igrejas românicas ou góticas. O estudo das relações simbólicas entre o corpo humano (e mais precisamente o corpo de Cristo) e as plantas das principais igrejas desse período pode auxiliar no entendimento do título. Você deve ter visto o livro que lhe enviei pelo Jardim, repleto de imagens desta igreja e da exposição (livro “Lugar, tempo, olhar: arte brasileira na França românica”, com texto de Anne Louyot que, aliás, foi lançado na Pinacoteca do Estado em setembro de 2009). Há também uma série em tamanho menor, na qual utilizo a mesma técnica e que se chama “Páginas soltas de um livro mudo”, título que se refere ao mesmo universo das catedrais medievais e, como não poderia deixar de ser, aos livros de alquimia, mas o importante é compreender o sentido original que o título evoca.

Ernesto Bonato - 'Manto' (série Deambulatório)

R$4.000,00
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artista: Ernesto Bonato

técnica: Xilogravura

dimensões: 64 x 64 cm

suporte: Papel sekishu

numeração: P.A.

ano: 2007

 

Observações:

A fotografia aqui apresentada é de referência, portanto a numeração da gravura enviada pode não corresponder a desta fotografia, assim como a tonalidade do papel pode variar um pouco em relação à visualizada na tela. A gravura é identificada com anotações à lápis na margem inferior (à esquerda, o número de impressão e, à direita, a assinatura do artista).

A obra é enviada sem moldura, em um tubo de pvc lacrado com certificado de autenticidade assinado pelo artista.

Algumas das obras são impressas sob demanda e outras estão disponíveis para pronta entrega. Entraremos em contato para informar os prazos de entrega.

 

Mais informações sobre esta obra:

A xilogravura 'Manto' faz parte da série 'Deambulatório', iniciada em 2006 e ainda em desenvolvimento. A série ou parte dela já  foi exposta em diversos lugares como a igreja de Anzy Le Duc, Brionnais, França;  Galerie d’Engramme, Quebéc, Canadá; Pratt Institute, Nova Iorque, EUA; Hyllyer Art Space, Washington, EUA; IV Bienal de Gravura de Santo André (Prêmio); Museo de Arte de Ciudad Juárez, Chihuahua, México; Mominoki Gallery, Tóquio, Japão; Galeria Gravura Brasileira, São Paulo; Instituto Cultural Brasil Venezuela, Caracas; 6e Biennale Internationale D’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Canadá; International Print Center New York, EUA; Centre de la Gravure et de l’Image Imprimée, Bruxelas, Bélgica; Galeria de Arte da Unicamp, Campinas; Estação Pinacoteca, Pinacoteca do Estado de São Paulo; Exposición del Encuentro Internacional de Grabado No Tóxico 09. Monterrey, México; Galeria Mezanino, São Paulo; Guanlan Printmaking Base, Guanlan, Senzhen, China; De Punt. Amsterdã, Holanda; IPCNY, New York, EUA; Sesc Guarulhos, SP; Sesc Pinheiros, SP; Mosteiro Zen Morro da Vargem, Ibiraçu, ES; Galeria Virgílio, SP; AT/AL/609, Campinas; Galeria Via Thorey, Vitória, ES, entre outros. A obra encontra-se reproduzida no livro 'Lugar, Tempo, Olhar', de Anne Louyot, editado pela Atelier Editorial em 2009; no catálogo da exposição 'Quatro Ensaios Gráficos', organizado por Claudio Mubarac e editado pela Pinacoteca do Estado de São Paulo em 2012 (esgotado) e no catálogo da VI Biennale Internationale D'Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Canadá, de 2009. Da obra 'Manto', foi feita uma edição de 12 cópias em papel Sekishu de tom levemente amarelado e outra, alguns anos depois, de 10 cópias em papel Sekishu branco, além das Provas do Artista (P.A.) correspondentes. A partir de 2020 o artista passa a imprimir esta gravura por demanda, em papel washi, sem abrir uma nova edição, numerando as impressões com algarismos romanos.

 

Sobre a série 'Deambulatório'

Ernesto Bonato

 

Iniciei estas imagens em 2006 com a vontade de atribuir a algumas fotografias que fizera desde o ano anterior uma qualidade misteriosamente natural, como se elas brotassem da uma superfície rude - um pedaço de madeira - e flutuassem em sua superfície como uma espuma que nasce dos movimentos profundos do mar. Desejava que estas imagens guardassem algo de sua natureza fotográfica, mas se afastassem da qualidade material de uma ampliação fotográfica comum, sempre mais fria que uma gravura, a meu ver. O primeiro movimento, talvez mais óbvio, mas não menos válido por isso, foi querer realizá-las utilizando os recursos da fotogravura que já dominava relativamente bem na época, mas a verdade é que via estas imagens brotando da madeira e não de uma chapa de metal. Já realizara alguma experiência com filmes fotossensíveis sobre a madeira com resultados satisfatórios, mas obtivera imagens com aquela qualidade explicitamente fotográfica (no que ela tem de registro mecânico da luz) que preferia evitar. Estas imagens necessitavam ser dissolvidas, amolecidas, modeladas pela mão para perderem a rigidez mimética do registro fotográfico e tornarem-se mais “quentes”, mais vivas, algo que sempre associo ao desenho. Por isso resolvi gravá-las manualmente na madeira, mesmo que partindo de uma impressão fotográfica, para que fosse possível conduzir a imagem para um campo indefinido entre desenho, gravura e fotografia, onde não seria fácil precisar sua natureza. Ao mesmo tempo necessitava que esta gravação fosse o mais “natural” e sutil possível, pois, como disse, desejava que a imagem tivesse o aspecto de algo que brotava da madeira quase que espontaneamente, como se fosse fruto da própria madeira ou de um animal que vive nela. A intuição me levou a fazer uma primeira experiência em pequena escala utilizando punções de diâmetros diferentes no lugar das ferramentas de corte

usualmente utilizadas na xilogravura. O resultado foi uma imagem um pouco fantasmagórica, sem o peso corpóreo que o corte e a linha conferem à forma e sem a marca evidente da mão cultivada, que denuncia o gesto humano educado, talvez impossível de eliminar da linha. Mesmo assim, a imagem preservava uma qualidade não mecânica, humana, uma quentura e inteligência, que são próprias do desenho. Foi um movimento delicado esse de colocar-se entre tantas coisas que falam tão alto e por si mesmas e encontrar um meio termo que fosse suave e potente ao mesmo tempo. Optei por esta ação mínima de empurrar as fibras da madeira para baixo com pontas de diâmetros maiores ou de simplesmente abrir espaço entre elas, com pontas mais finas, nunca removendo material. A tradução dos tons contínuos presentes na fotografia original foi atingida pela construção de uma reticula orgânica que, além de contar com a variação dos diâmetros dos pontos e de seus espaçamentos (variáveis presentes na maioria das retículas obtidas mecanicamente), incorporava a interpretação das estruturas, das linhas de força, volumes, etc., visíveis no gesto de quem desenha. Desse modo, a retícula acompanhava o movimento do objeto representado, interpretando com entendimento e maleabilidade sua estrutura, propondo ainda variações no contraste e nos limites da imagem fotográfica original, algo impossível de se obter com uma retícula mecanicamente gerada. Aqui também a intuição me fez escolher o cedro, que depois verifiquei, ao experimentar muitas outras, ser a melhor madeira para este tipo de gravação, além de oferecer à imagem os seus veios, intensificando a sensação de que a figura brotava do lenho ao fundirem-se com a própria retícula gravada.

As figuras escolhidas se relacionam com a iconografia Sacra, apesar de não serem nem comentários, nem pretendam ser sacras no sentido tradicional, embora também não sejam (espero) destituídas de um sentido de religiosidade. Desde o início, pretendia realizar um conjunto de 12 imagens diferentes, mas não defini de antemão quais seriam elas. Uma condição que me impus e que mantenho é de utilizar apenas fotografias feitas por mim, pois continuo considerando este um trabalho de fotografia tanto quanto de gravura. Até agora gravei 06 dessas imagens. Como se vê, é um trabalho muito lento. As imagens têm que vir com verdade, então espero por elas, não as procuro. O trabalho de gravação também se estende por muitos meses, já que qualquer equívoco na perfuração da matriz põe todo o trabalho a perder. A gravação se arrasta lentamente, um pouco por dia, durante o tempo que a atenção permanece mais aguda. A primeira vez que expus as primeiras imagens foi numa igreja românica do século XI, na Borgonha francesa. Chamei esta série de “Deambulatório”, que corresponde à parte que circunda o coro e se coloca entre este e as capelas radiantes nas grandes igrejas românicas ou góticas. O estudo das relações simbólicas entre o corpo humano (e mais precisamente o corpo de Cristo) e as plantas das principais igrejas desse período pode auxiliar no entendimento do título. Você deve ter visto o livro que lhe enviei pelo Jardim, repleto de imagens desta igreja e da exposição (livro “Lugar, tempo, olhar: arte brasileira na França românica”, com texto de Anne Louyot que, aliás, foi lançado na Pinacoteca do Estado em setembro de 2009). Há também uma série em tamanho menor, na qual utilizo a mesma técnica e que se chama “Páginas soltas de um livro mudo”, título que se refere ao mesmo universo das catedrais medievais e, como não poderia deixar de ser, aos livros de alquimia, mas o importante é compreender o sentido original que o título evoca.